Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Futuro promissor
Como fazia calor naquela noite...Anna Clara nao conseguia dormir, apenas deixava seus lençois molhados de suor. Verão em uma nova cidade. Não sabia bem se gostava de mudanças... Até gostava de coisas novas, mas era terrivel deixar sua vida para tras. Agora a cidade crescera, seu quarto diminuira e as ruas se agitavam. O céu ja nao era mais o mesmo e a lua parecia bem menor e manchada. O novo colégio era terrivel, mas seu futuro parecia promissor. Pena que ele parecia tão longe de chegar...
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
Domingo...
Protozoários, oses, cistos...Domingo de tarde, pessoas andando pela praça e pela calçada, e Anna tinha que estudar. Mas nao da pra se concentrar vendo o mundo e as crianças rodarem, vendo nuvens e passaros voando no ar, sentindo o vento gelado de junho cortar seu rosto e seus labios. Os olhos secam num instante, as paginas voam. Mas quem precisa delas?
Naoo...nao tem graça...Anna prefere largar tudo pra sentar no balanço e afundar a ponta do tenis na areia gelada...
Naoo...nao tem graça...Anna prefere largar tudo pra sentar no balanço e afundar a ponta do tenis na areia gelada...
Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Nua...
Anna está nua. A cortina do palco está aberta e Anna Clara olha para o publico.Não tem coragem de tirar a mascara de seus olhos, mas está nua. Seus seios estão à mostra, seu torso e seus pelos. O corpo jovem, inteiro por ser descoberto está à mostra. Mas todos estão ocupados demais para vê-la. Todos tem algo melhor a fazer agora e isso dói. Mas ela finge que nem está ligando. Então ela adormece e sonha que está voando.
Chuva...
Cai agua do ceu. Pela janela, Anna conta os pingos de chuva que tentam tocar seu rosto colado no vidro, mas nao a tocam. Cai agua do céu e Anna está segura em seu quarto. A agua não consegue levar a poeira do ar até sua pele, mas tem força para trazer antigos momentos já esquecidos à tona. O cheiro de terra molhada, bolo de chocolate assando e lembranças quase perdidas impregna o ar de toda a casa. Cai agua do ceu e Anna quer passar pela porta e correr pelo asfalto molhado, mas sente medo. Desta vez, tudo o que ela faz é ficar sentada na cama, com o rosto colado no vidro, que tenta protegê-la da agua.
Sábado, 19 de Janeiro de 2008
Mais uma dose...
Essa era mais uma daquelas noites que pareciam travar o relógio. Os segundos corriam cada vez mais lentos e a dona lua nao se cansava de sua caminhada noturna...Anna Clara não conseguia pregar os olhos.
Passava noites pensando no mundo. Queria sonhar livre, voar sem precisar de cera. Sentia falta do que ja havia sido, do tinha sido, do que esperara encontrar um dia. Lembrava daquele cheiro de carvão enbebido de alcool queimando, de cerveja e conversa jogadas fora e de quando aprendera a contar historias. Falta daquelas tardes em que nem se importava com o anoitecer, e brincava de ser gente grande. Anna sentia falta da garotinha que ia mudar o mundo quando tivesse voz e identidade. Ja estava cansada dessa rotina de não ter o que fazer, ou de não se esforçar para fazer nada de novo. Precisava de um pouco mais de veneno...
Passava noites pensando no mundo. Queria sonhar livre, voar sem precisar de cera. Sentia falta do que ja havia sido, do tinha sido, do que esperara encontrar um dia. Lembrava daquele cheiro de carvão enbebido de alcool queimando, de cerveja e conversa jogadas fora e de quando aprendera a contar historias. Falta daquelas tardes em que nem se importava com o anoitecer, e brincava de ser gente grande. Anna sentia falta da garotinha que ia mudar o mundo quando tivesse voz e identidade. Ja estava cansada dessa rotina de não ter o que fazer, ou de não se esforçar para fazer nada de novo. Precisava de um pouco mais de veneno...
Domingo, 30 de Setembro de 2007
Idéias repetidas...
Muitas paginas escritas e muita tinta gasta para tentar mudar as ideias do mundo... Ja sentia nojo de discutir velhas teses filosóficas. Anna se sentia como mais uma garota apenas, destinada a sequer alterar as somas dos corpos adulterados em qualquer livro de história. Como todos eram apenas um, e ela era especial apenas para si mesma...
Sabia que tinha força para destruir o que tivesse vontade e para mudar o mundo se desejasse...Mas não estava fazendo nada para provar isso.
Sabia que tinha força para destruir o que tivesse vontade e para mudar o mundo se desejasse...Mas não estava fazendo nada para provar isso.
Uma ou outra taça de vinho...
Ja tinha perdido a graça ver a noite passar. Anna Clara fazia parte dessa juventude marcada por horas perdidas entre uma e outra madrugada. Sabia que ninguem suportava o tédio de não se tornar a esperança dessa geração. Via as pessoas sempre com máscaras e estava cansada disso Mas não tinha ideia alguma do que fazer.
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